Com uma narrativa envolvente, “Blecaute”, de Marcelo Rubens
Paiva, se tornou um livro admirável. Três amigos — Rindu, Mário
e Martina — decidem se aventurar em uma caverna e ficam presos nela
por três dias, consequência de uma enchente que impediu a sua
passagem. Quando saíram do lugar e voltaram a São Paulo,
encontraram todos transformados em estátuas; o mundo tinha parado, o
que fariam? Eles são os únicos sobreviventes do mundo e os
questionamentos não param de aparecer. Até se tornarem vãos e
inúteis.
É uma narrativa rápida e simples. Mesclando alegrias e revoltas dos
personagens, Paiva me teletransportou para um mundo diferente. Eles
eram os “donos do mundo”; podiam fazer qualquer coisa em qualquer
lugar. Sozinhos. Estavam sozinhos no mundo.
Durante a leitura, me senti apreensiva em algumas passagens.
Enquanto o tempo passava, mais se tornava difícil a vida em três
pessoas. Conflitos e comemorações. Questionamentos e conformismo.
Medo. Pesadelos. Desistência. Luta.
Um livro feito para ser apreciado.
“Estava livre, mas não sabia onde procurar a tal liberdade.”


