Quando cheguei às
últimas páginas, percebi o quão sem sentido era tentar gravar com
afinco números de páginas específicas quando todo o conjunto do
livro era excelente e não poderia ser desfeito em pedaços
classificados em momentos “melhores” ou “piores”.
Não tinham momentos
melhores e piores.
Existia Eleanor e
Park e isso já era melhor o suficiente; isso já era o melhor do
mundo.
Cada livro traz uma
sensação diferente. Paralisa, faz chorar, faz tremer, sorrir ou
querer gritar. E eu queria fazer tudo isso e talvez um pouco mais.
Porque era Eleanor e Park. Porque era o melhor romance que eu já
tinha lido no mundo.
Eleanor, a garota
pobre que sofria nas mãos do padrasto, que não tinha roupas para
usar — portanto usava roupas masculinas ou qualquer coisa que
encontrasse pela frente —, que não tinha escova de dente, que
morava em uma casa tão pequena que o banheiro era do lado da cozinha
e não tinha nem porta, que não tinha “o corpo perfeito”, que
vivia o inferno na Terra, que sofria bullying. Park, o garoto rico
que tinha walkman, gibis, cama de água, telefone em forma de
Ferrari, fitas, roupas boas para usar. E talvez até fosse fútil.
Mas que mudou
totalmente quando mandou uma garota esquisita que usava roupas
masculinas se sentar ao lado dele no ônibus — porque ela não
tinha opção e ele também não.
Essa história me
transportou para uma dimensão diferente da que eu estou acostumada.
Não é o romance normal adolescente, não é algo sem sentido ou
repentino e em nenhum instante parece forçado. É natural e real.
Verdadeiro. É possível sentir tudo, exatamente tudo o que a autora
deseja. É incrível, fascinante… ou talvez apenas alguma palavra
que ainda não tenha sido inventada. Os personagens ganharam vida na
mão da autora. Eles eram humanos, acima de tudo. Tudo tinha algum
fundamento, menos os sentimentos que eu senti enquanto lia aquelas
palavras.
Eu queria conhecer a
Eleanor e o Park. Mas, se os conhecesse, não seria a mesma coisa que
ler a história deles. Que ler sobre tudo o que eles passaram.
Foi um livro
completamente diferente e inesperado e eu quero relê-lo todos os
dias até não aguentar mais. Quero relê-lo até saber todas as
palavras de cor e poder recitá-las. Quero relê-lo para sentir as
mesmas sensações mais um milhão de vezes e para me teletransportar
quantas vezes for necessário.
Não faz sentido
gravar apenas um conjunto de páginas para classificá-las como
“melhores” ou “piores”.
Porque o livro
inteiro é perfeito.
E isso é tudo.

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