terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Mar da Tranquilidade - Katja Millay


 Josh e Nastya não é o tipo de casal que um tem problemas e outro ajuda. Que um sofre e o outro tenta o resgatar desesperadamente de qualquer coisa que tenha acontecido. Não é essa história. A história é de um casal horrivelmente destruído, em todos os sentidos. Com segredos, receios e a tristeza os assolando o tempo todo. Mas que ficam bem quando estão juntos. Destruídos, mas bem.
A história de Josh não é segredo para ninguém. Com 17 anos, já não tem mais família e vive sozinho no mundo. Nastya é o mistério que se esconde atrás de roupas exageradamente curtas, calçados de salto agulha e quilos de maquiagem. E, o mais torturador, ela se recusa a falar.
A maneira como a relação entre os dois evolui é de tirar o fôlego. Eles não precisam salvar um ao outro, porque sabem o que não é poder ser salvo. Eles nem tentam. Não conseguem. Não podem. Porque já estão destruídos demais para tentar reconstruir um ao outro. Então eles simplesmente vivem um ao lado do outro.
Nastya e Josh atraem de modo impossível. Os segredos, toda a situação em que os dois se encontram, a tristeza forte e frases capazes de abalarem as estruturas do leitor fazem desse livro uma leitura agradável e viciante. Intrigante. 
"Naquele momento, eu sei o que ele me deu, e não é uma cadeira. É um convite, uma mensagem de boas-vindas, a confirmação de que sou aceita aqui. Ele não me deu algo para me sentar. Ele me deu um lugar."

domingo, 25 de janeiro de 2015

Eleanor & Park - Rainbow Rowell


Quando cheguei às últimas páginas, percebi o quão sem sentido era tentar gravar com afinco números de páginas específicas quando todo o conjunto do livro era excelente e não poderia ser desfeito em pedaços classificados em momentos “melhores” ou “piores”.
Não tinham momentos melhores e piores.
Existia Eleanor e Park e isso já era melhor o suficiente; isso já era o melhor do mundo.
Cada livro traz uma sensação diferente. Paralisa, faz chorar, faz tremer, sorrir ou querer gritar. E eu queria fazer tudo isso e talvez um pouco mais. Porque era Eleanor e Park. Porque era o melhor romance que eu já tinha lido no mundo.
Eleanor, a garota pobre que sofria nas mãos do padrasto, que não tinha roupas para usar — portanto usava roupas masculinas ou qualquer coisa que encontrasse pela frente —, que não tinha escova de dente, que morava em uma casa tão pequena que o banheiro era do lado da cozinha e não tinha nem porta, que não tinha “o corpo perfeito”, que vivia o inferno na Terra, que sofria bullying. Park, o garoto rico que tinha walkman, gibis, cama de água, telefone em forma de Ferrari, fitas, roupas boas para usar. E talvez até fosse fútil.
Mas que mudou totalmente quando mandou uma garota esquisita que usava roupas masculinas se sentar ao lado dele no ônibus — porque ela não tinha opção e ele também não.
Essa história me transportou para uma dimensão diferente da que eu estou acostumada. Não é o romance normal adolescente, não é algo sem sentido ou repentino e em nenhum instante parece forçado. É natural e real. Verdadeiro. É possível sentir tudo, exatamente tudo o que a autora deseja. É incrível, fascinante… ou talvez apenas alguma palavra que ainda não tenha sido inventada. Os personagens ganharam vida na mão da autora. Eles eram humanos, acima de tudo. Tudo tinha algum fundamento, menos os sentimentos que eu senti enquanto lia aquelas palavras.
Eu queria conhecer a Eleanor e o Park. Mas, se os conhecesse, não seria a mesma coisa que ler a história deles. Que ler sobre tudo o que eles passaram.
Foi um livro completamente diferente e inesperado e eu quero relê-lo todos os dias até não aguentar mais. Quero relê-lo até saber todas as palavras de cor e poder recitá-las. Quero relê-lo para sentir as mesmas sensações mais um milhão de vezes e para me teletransportar quantas vezes for necessário.
Não faz sentido gravar apenas um conjunto de páginas para classificá-las como “melhores” ou “piores”.
Porque o livro inteiro é perfeito.

E isso é tudo.