sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O oceano no fim do caminho - Neil Gaiman


 “O oceano no fim do caminho”, de Neil Gaiman, é uma história intrigante e que revela diversas lições ocultas e interpretações distintas. A história começa quando o narrador — personagem sem nome — volta à fazenda das Hempstock em um dia que está vagando sem rumo pelo lugar onde morava quando era uma criança de sete anos. A fazenda é no fim do caminho e foi lá que ele conheceu o lago, chamado de “oceano” por Lettie Hempstock, sua amiga de onze anos na época. Quando ele senta-se em um banco à margem do lago, lembra-se de tudo daquela época: das dificuldades financeiras dos pais que foram obrigados a alugarem um quarto vago na casa para conseguirem dinheiro; do minerador de opala que havia sido um inquilino, roubara o carro da família e se matara no banco traseiro; de Ursula Monkton, sua governanta que na história era uma criatura de outro mundo que atormentava o menino sem nome; mas lembrou-se, principalmente, de Lettie, que o havia apresentado ao oceano e a um novo mundo e feito de tudo para protegê-lo.
Utilizando da narração de uma criança, o escritor aproveitou para fazer uma fábula distante de nossa realidade, mas que parecia palpável e extremamente fácil de ser imaginada. Com lições ocultas durante todo o livro — é impossível captá-las tão facilmente durante a primeira leitura —, é muito simples para entrar na realidade descrita e acreditar que ela seja realmente verdadeira. Uma leitura que deixa apreensivo, curioso e que tem diversas reviravoltas, apesar de ser lenta e agradável.
Fala, principalmente, de como o que fazemos na infância reflete quando nos tornamos adultos; fala das memórias que são apagadas mediante o tempo; fala dos sacrifícios que precisamos fazer e do quanto precisamos ser dignos da vida que levamos. Mostra o quanto a morte é inevitável, assim como a melancolia que vem junto dela.
Um livro melancólico, intrigante e cheio de significados.
“Pessoas diferentes se lembram das coisas de jeitos diferente, e você nunca vai ver duas pessoas se lembrando de uma coisa da mesma forma, estivessem elas juntas ou não.”

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