“O oceano no fim do caminho”, de
Neil Gaiman, é uma história intrigante e que revela diversas lições
ocultas e interpretações distintas. A história começa quando o
narrador — personagem sem nome — volta à fazenda das Hempstock
em um dia que está vagando sem rumo pelo lugar onde morava quando
era uma criança de sete anos. A fazenda é no fim do caminho e foi
lá que ele conheceu o lago, chamado de “oceano” por Lettie
Hempstock, sua amiga de onze anos na época. Quando ele senta-se em
um banco à margem do lago, lembra-se de tudo daquela época: das
dificuldades financeiras dos pais que foram obrigados a alugarem um
quarto vago na casa para conseguirem dinheiro; do minerador de opala
que havia sido um inquilino, roubara o carro da família e se matara
no banco traseiro; de Ursula Monkton, sua governanta que na história
era uma criatura de outro mundo que atormentava o menino sem nome;
mas lembrou-se, principalmente, de Lettie, que o havia apresentado ao
oceano e a um novo mundo e feito de tudo para protegê-lo.
Utilizando da narração de uma
criança, o escritor aproveitou para fazer uma fábula distante de
nossa realidade, mas que parecia palpável e extremamente fácil de
ser imaginada. Com lições ocultas durante todo o livro — é
impossível captá-las tão facilmente durante a primeira leitura —,
é muito simples para entrar na realidade descrita e acreditar que
ela seja realmente verdadeira. Uma leitura que deixa apreensivo,
curioso e que tem diversas reviravoltas, apesar de ser lenta e
agradável.
Fala, principalmente, de como o que
fazemos na infância reflete quando nos tornamos adultos; fala das
memórias que são apagadas mediante o tempo; fala dos sacrifícios
que precisamos fazer e do quanto precisamos ser dignos da vida que
levamos. Mostra o quanto a morte é inevitável, assim como a
melancolia que vem junto dela.
Um livro melancólico, intrigante e
cheio de significados.
“Pessoas diferentes se lembram das
coisas de jeitos diferente, e você nunca vai ver duas pessoas se
lembrando de uma coisa da mesma forma, estivessem elas juntas ou
não.”
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